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Política

Laurez pode perder votos com aliança mal construída pelo PT no Tocantins

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foto produzida por inteligência artificial.

Falta de recursos e de diálogo com candidaturas proporcionais cria crise interna no partido e ameaça reduzir a capilaridade da chapa governista

A aliança do PT do Tocantins com Laurez Moreira, que não anda muito bem nas pesquisas, começa a enfrentar um problema que pode ter consequências eleitorais para além das fronteiras do partido.

Candidatos a deputado estadual e federal reclamam da falta de recursos, de informações e de diálogo sobre a distribuição do Fundo Eleitoral. O resultado é uma crise interna que ocorre justamente no momento em que a legenda deveria estar mobilizando suas candidaturas para fortalecer o palanque do candidato ao governo.

O problema não é exclusivamente tocantinense.

Em Minas Gerais, 25 candidatos do PT ficaram sem repasse individual do Fundo Eleitoral e passaram a contestar os critérios utilizados pela direção partidária. O grupo chegou a discutir a possibilidade de recorrer à Justiça e reivindicar um piso de financiamento para as campanhas. (Metrópoles⁠)

No Tocantins, a situação também veio a público.

O candidato a deputado estadual Jerfeson Nascimento questionou os critérios adotados pela direção nacional e afirmou que candidaturas de base, populares e periféricas não podem ser tratadas como menos importantes apenas porque não possuem mandato ou estrutura financeira própria.

A própria direção estadual reconheceu a existência do problema.

O presidente do PT no Tocantins, Nile Willian, afirmou que a Executiva Nacional centralizou as discussões sobre a distribuição dos recursos, esvaziando as direções estaduais e provocando uma crise interna em diferentes estados. Segundo ele, a direção tocantinense é crítica ao modelo e procura mecanismos para financiar as candidaturas. (Cleber Toledo – Coluna do CT⁠)

A questão, porém, não termina na disputa interna do PT.

Ela alcança diretamente Laurez.

Uma candidatura ao governo precisa de capilaridade. Precisa de candidatos a deputado andando pelos bairros, municípios e comunidades, organizando reuniões, produzindo conteúdo, conversando com eleitores e pedindo votos.

É essa rede que transforma uma coligação formal em uma aliança eleitoral efetiva.

Quando parte dos candidatos proporcionais não possui dinheiro sequer para deslocamento, material de campanha ou alimentação, a estrutura da majoritária também perde força.

O cálculo é simples.

Um candidato a deputado sem condições de fazer campanha é menos uma estrutura de votos para si e menos um ponto de apoio para o candidato ao governo.

O fim da militância improvisada

A política mudou.

Ainda existe militância por convicção, mas uma campanha estadual não pode depender apenas dela.

As pessoas precisam se deslocar. Precisam de combustível, alimentação, material gráfico, comunicação digital e organização mínima.

Não se trata de pagar alguém para defender uma ideia.

Trata-se de criar condições para que uma candidatura consiga chegar ao eleitor.

A expectativa de que candidatos e militantes percorram o estado sob sol, façam reuniões, panfletagem e mobilização apenas por compromisso partidário é cada vez menos realista.

E existe outro problema: acesso.

Candidatos que não conseguem conversar com quem toma as decisões sobre recursos passam a interpretar o silêncio como abandono.

Em política, a sensação de abandono costuma produzir ressentimento.

O problema de Laurez

Laurez precisa olhar para essa crise como uma questão da própria campanha.

A pergunta não deveria ser apenas quantos candidatos o PT colocou na disputa.

A pergunta é quantos deles têm condições reais de pedir votos.

A diferença é fundamental.

Uma chapa pode ter dezenas de candidatos registrados e, ainda assim, possuir pouca capacidade de mobilização se esses nomes não tiverem estrutura.

O risco é a aliança funcionar apenas no palanque.

Na rua, cada candidato pode acabar cuidando exclusivamente da própria sobrevivência eleitoral.

Isso reduz a capacidade de transferência de votos e enfraquece a estratégia majoritária.

Paulo Mourão também está no jogo

A situação também atinge Paulo Mourão.

O candidato ao Senado precisa de uma rede política capaz de levar seu nome para diferentes regiões do estado.

Segundo relatos entre candidatos, Mourão tem procurado algumas dessas candidaturas oferecendo apoio e recursos.

Se esse movimento se ampliar, pode produzir um efeito político interessante.

Candidatos que se sentem abandonados pela estrutura partidária podem enxergar em Mourão um aliado mais próximo.

Mas isso também expõe uma contradição.

Se um candidato majoritário precisa individualmente tentar socorrer candidaturas proporcionais que deveriam estar integradas à estrutura partidária, fica evidente que existe uma falha de coordenação política.

Mourão pode estar tentando preencher um espaço que o próprio partido deixou aberto.

Jerfeson virou um caso emblemático

Entre os candidatos que enfrentam essa realidade está Jerfeson Nascimento.

Sem uma estrutura financeira significativa, ele decidiu fazer uma campanha praticamente artesanal.

Produz o próprio material, vai para a rua, panfleta e utiliza as redes sociais para ampliar sua presença.

A estratégia chamou atenção justamente porque contrasta com o tamanho da estrutura financeira disponível ao partido nacionalmente.

O PT terá aproximadamente R$ 615 milhões do Fundo Eleitoral em 2026, enquanto candidatos de diferentes estados relatam que ficaram sem repasse individual. (Estado de Minas⁠)

Nossa equipe de reportagem do Impacto Tocantins conversou com Jerfeson, que afirma que já assumiu dívidas para manter a campanha.

É nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas contábil.

Uma candidatura pode ser pequena em estrutura e grande em potencial eleitoral.

O problema é que, sem condições mínimas, o partido pode descobrir o potencial de um candidato somente depois da eleição.

A crise é política, não apenas financeira

O que está em discussão no PT do Tocantins não é apenas quanto cada candidato vai receber.

É o modelo de gestão política.

A falta de informação alimenta especulação.

A falta de diálogo alimenta desconfiança.

E a falta de estrutura alimenta desmobilização.

Há relatos de insatisfação entre filiados e candidatos, inclusive de pessoas que defendem mudanças na condução da direção estadual. Qualquer eventual pedido formal de afastamento ou processo interno, porém, precisa ser documentado antes de ser tratado como fato.

O que já é possível observar é uma crise de confiança.

E crise de confiança, em período eleitoral, pode custar votos.

O risco de uma aliança no papel

Laurez pode ter uma aliança partidária importante, mas isso não significa automaticamente que terá uma máquina eleitoral funcionando em seu favor.

Para que o acordo produza votos, é preciso que os candidatos proporcionais tenham condições de trabalhar.

Sem isso, a aliança corre o risco de existir apenas na fotografia oficial.

O PT precisa resolver o problema antes que ele se transforme em desmobilização.

Laurez, por sua vez, deveria acompanhar de perto a situação.

Não necessariamente para interferir na autonomia partidária, mas para garantir que os aliados que estarão pedindo votos para sua candidatura tenham condições mínimas de fazer esse trabalho.

Porque uma eleição majoritária não é vencida apenas pelo candidato a governador.

Ela é construída por centenas de pessoas que, todos os dias, apresentam seu nome aos eleitores.

Se essas pessoas não conseguem chegar às ruas, a campanha perde capilaridade.

E, no fim, a conta pode chegar à majoritária.

Laurez pode não perder votos por causa da aliança com o PT. Mas pode perder votos se essa aliança não conseguir funcionar nas ruas.

por: Juca Silva

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