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“Da Escravidão à Escala 6×1: A Luta do Trabalhador Brasileiro Continua”

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Por 388 anos o Brasil teve gente escravizada, começou assim com os povos originários, indígenas eram forçados a deixarem suas comunidades, seus costumes, suas crenças para trabalharem nos engenhos, na indústria do açúcar, da cachaça e do melado servido nas mesas dos senhores. Vieram milhares de negros da África em porões imundos de navios idem. Como ninguém nasceu para ser escravizado, surgiram várias revoltas, manifestações e insatisfações, entretanto como hoje, a maioria era cega e sem nenhuma consciência do estado em que viviam. Muitos dos revoltosos foram açoitados, humilhados e mortos pelos seus iguais, a mando de outros iguais submissos a seus senhores.

Em 1881, jangadeiros cearenses começaram a organizar protestos, greves e mobilizações contra o regime de escravidão em que viviam, por sua vez os escravocratas se articulavam junto aos poderosos tentando manter suas propriedades humanas, desumanizadas. Em função dos protestos populares, o Ceará foi a primeira província brasileira a abolir a escravidão: 25 de março de 1884, quatro anos antes da Lei Áurea ser aprovada.
A imprensa da época — como até hoje, mantida nas mãos dos donos do poder — esbravejava:
— O Ceará vai falir, o Brasil vai quebrar, o crime vai imperar neste país! Não podemos permitir liberdade aos negros, afinal compramos, pagamos por esta gente.

Pensando aqui, quanta insensatez.

Nossas conquistas nunca foram ações voluntárias de bons e humanos políticos; sempre foram resultado da organização do povo brasileiro, através de movimentos, associações, sindicatos e outras formas de pressão coletiva. A consolidação das leis trabalhistas em 1943, as garantias asseguradas pela Constituição Federal de 1988 — todas essas vitórias geraram críticas, ataques e mentiras absurdas por parte do capital, da imprensa vendida e de pessoas que defendem cegamente os privilégios e a opressão das classes superiores.

Hoje, o assunto principal é o fim da escala de trabalho 6 por 1, e o discurso continua exatamente o mesmo, vindo da mesma elite de sempre: monarquistas, banqueiros, financistas, grandes industriais, donos de redes de comércio e cadeias de farmácias falam todos com uma só voz. Dizem que, se concedermos esse direito aos trabalhadores, “as fábricas param, os estabelecimentos fecham, a violência aumenta”, e ainda debocham: “pobre com dois dias de folga não sabe o que fazer, vai inventar problema, vai inventar moda…”

Mais uma vez: quanta insensatez!

Seguimos firmes na luta: pelo fim definitivo e urgente dessa jornada que ainda carrega marcas de escravidão, pelo fim da escala 6×1.

Milne Freitas Souza


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