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ARAGUATINS: Quadrilha de São Sebastião em apresentação histórica enredo inspirado na história real de Nazaré vira alerta geral contra todo tipo de abuso à infância

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O Arraia da Escola Estadual Denise registrou momento inédito nesta edição: pela primeira vez, recebeu a Quadrilha Junina Tradição, agremiação vinda de São Sebastião do Tocantins. Mais que festa, o palco virou tribuna de defesa da vida, com enredo construído sobre a história real de Nazaré – criança vítima de abuso grave praticado pelo próprio tio, quem deveria ser sua proteção – ampliando a mensagem para combater toda e qualquer forma de violência: física, sexual, psicológica, moral ou por negligência.

Sob coordenação de Yago, o grupo levou a cultura popular como caminho para quebrar o silêncio

“Escolhemos contar a trajetória de Nazaré porque ela é a cara de muita gente que ainda não consegue falar: infelizmente, em muitos lares da nossa região, o perigo não chega de fora, mas vem de quem faz parte da família, de quem convive diariamente, de quem tem a confiança dos pais — exatamente como aconteceu com ela. Nosso objetivo não foi apenas relembrar a dor, mas transformá‑la em lição: todo tipo de abuso é crime inaceitável, não importa quem o pratique, não importa o vínculo que exista. Nossa vinda aqui foi para dizer alto e claro: a festa junina só tem sentido verdadeiro se as nossas crianças estiverem seguras, amadas e livres de qualquer medo. O silêncio foi o pior inimigo de Nazaré; nosso trabalho, agora, é fazer com que ele nunca mais seja o inimigo de ninguém”.

Enredo com verdade e símbolos que falam por si

Todo o roteiro foi preparado com orientação de educadores e assistentes sociais, garantindo respeito e clareza ao contar a trajetória: como o perigo pode estar onde se espera segurança, a dificuldade da criança em denunciar, os sinais de alerta que não devem ser ignorados e o caminho para buscar ajuda – reforçando sempre: abuso nunca é culpa da vítima.

O visual manteve a cara autêntica da nossa festa: chapéus de palha, tecidos coloridos e fitas vermelhas, marca tradicional do ciclo junino, que agora ganharam também sentido simbólico de alerta e atenção. Ao lado, faixas com frases diretas: “Família é abrigo, nunca perigo”, “Todo abuso é crime e tem denúncia garantida” e “Confiança não serve para ferir”. Músicas conhecidas ganharam versos novos, ensinando a reconhecer riscos e a não calar‑se diante de suspeitas.

O público – formado por alunos, professores, famílias da cidade e zona rural, trabalhadores rurais e lideranças de Araguatins – acompanhou com comoção e aplausos, reconhecendo uma mensagem feita para a sua realidade.


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